Quando a lágrima não cai

Pés e mãos atados! NÃÃOO!!!

O grito, que há muito tempo habita na garganta, cresce velozmente. Começa a tornar-se doloroso mantê-lo preso em tão pequena cavidade do meu corpo.

Respirar fundo? Para quê??? Se cada inspiração me recorda asperamente que este grito está em processo de expulsão. Talvez se deixasse de respirar deixasse de o sentir, ou… talvez ele se tornasse ainda maior, não sei…

O desespero assola-me, sinto-me sem norte! Para onde posso eu fugir? Se a minha vida é uma eterna fuga?! Porque me obrigam a fugir, a disfarçar, a falsear, a encobrir a verdadeira pessoa que eu sou!

Porque EU SOU ALGUÉM! EU EXISTO! E como tal, eu também tenho vontade própria, eu também ambiciono algo, eu também tenho desejos, sonhos, … medos, carências e necessidades! Se era uma máquina que queriam gerar, então porque me fizeram em forma de humano???

Porque ser um ser humano não é só ser eficiente no trabalho, corresponder às expectativas profissionais, encarar a vida como apenas um sacrifício corporal em prol de uma evolução material qualquer! Ser humano é SENTIR! É querer, é tentar, é errar, cair e levantar! É apaixonar, é sentir saudades, é partilhar o nosso íntimo! A verdadeira evolução humana surge na partilha do nosso ser com outros seres. Pois então, se sou eu um ser humano, porque raio não posso ser na sua totalidade?

O grito entala-me, sufoca-me! NÃÃOO!!!

A cabeça parece ter o peso de um meteoro e os meus ombros, descaídos, cedem à força gravítica.

Estou aparte, estou isolada, estou congelada!
Porque agora nada me parece ter sentido. Eu pareço não ter sentido, ou sentidos autorizados a sentir! Não que me tenha predisposto a isso voluntariamente, apenas não me foi concedida liberdade para tal aventura!

O desalento ataca-me lacrimosamente. Fecho os olhos! “Resiste Cindy! Não foi para exalar sentimentos que tu foste criada!” Mas é difícil, tão difícil… A minha visão está cada vez mais turva com tamanha humidade ocular.

Quando parece que uma gota se vai finalmente soltar do meu olho, eis que o grito mudo ressuscita, como se viesse socorrer a gota. E conseguiu de facto, pois que segurou a gota no meu olho.

Nem a gota salgada tem autorização para se libertar de mim… apenas o grito pode ser alimentado! Somente a raiva e revolta me é permitido sentir!

Pois se assim é, então que seja!
VOU GRITAR! Vou gritar bem alto, pelo ser que não me deixam ser e pela lágrima que não cai!

NNNNNÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!


Cindy Sousa, 02.Dezembro.2009

Noite de Inverno

Finalmente encontro algum aconchego…
Já é tarde quando recorro ao meu grande e solitário refúgio – a minha cama!
Enrosco-me o mais que posso, na tentativa de suprimir o frio que sinto. É muito, é intenso!
Os meus pés estão congelados. Talvez sejam eles os que mais sentem a tua falta. A carência do teu calor perto de mim é tão grande! (…)

Apesar desta sensação desconfortável nos pés, sinto que outra dor mais forte lateja. É tão poderosa que consegue ser a responsável por esta angústia e aperto que trago no peito. Entendo, por fim, que o frio dos pés é o mais secundário problema. Na verdade, a razão efectiva do meu mal-estar habita noutra parte do meu corpo. A dor que me dilacera a alma atingiu afinal o meu coração!
Se antes a cama parecia grande, agora aflitivamente sinto que ela não tem fim. Onde estás tu?

Não consigo dormir e, pior de tudo, este vazio está a agonizar-me. Preciso chorar! Preciso libertar a alma desta penúria!
Dos meus olhos, nem uma lágrima, apenas ardor. Será isto o meu castigo? Porque outrora cometi o imperdoável erro de magoar outro ser sensível e extraordinário. Agora, a vida sentencia-me desta maneira, não me permitindo exalar a dor que me ataca no mais delicado de mim! Dói! Dói porque sinto dor; dói porque me condeno a mim própria pelas falhas cometidas; dói porque tenho a noção exacta de que mereço sentir esta dor! (…)

Estou só e sem forças nesta cama. Penso em ti! Ou melhor, apercebo-me neste momento que estou a pensar em ti, porque na verdade, a tua presença é constante! Será que também consegues sentir-me? (…)

Um ponto de luz brilhante com uma pontaria perfeita acerta os meus olhos, obrigando-me a abri-los instintivamente. Já é de manhã… No fundo, começo o dia da mesma forma como adormeci: com frio, com dor, e a pensar em ti.
Pensar em ti era inevitável, porque tu ainda estás aqui. O brilho dos teus olhos continua presente, na foto que sobreviveu, no meu quarto. É bom olhar para ela… Recorda-me o dia quente e solarengo em que a tirámos… Sinto saudades! (…)
A dor aperta e o frio insiste! Eu não resisto e, sem coragem para erguer a cabeça, deixo-me cair redonda, entregando-me novamente à imensidão abismal desta cama, para que se prolongue eternamente esta fria e dolorosa noite de Inverno…

Porque és o sol da minha vida, sem ti eu não existo!

Cindy Sousa, 20.Nov.2009

Run

Um pé a seguir ao outro. Vitalidade. Energia. Tocam, velozes, na relva fresca. Determinados.

O ar entra apressado pela boca. A esperança oferecida pelo vento é grande demais para ser digerida num só fôlego.

Braços pendulares. Coordenação. Equilíbrio.

Cabeça erguida, afirmativa. Optimismo. Ambição.

Olhar de lince fixado num único ponto. Raios de sol como setas. Confiança.

No estômago, a sede de vitória. Glória. Aspiração.

É esta a corrida que me vai levar ao lado de lá!


Quando se inicia a corrida da vida, já não há ponto de retorno. É uma missão que nos exalta por dentro, como se uma força superior nos empurrasse o corpo para a frente.
Não há como dizer não! Nem como rejeitar tal evocação! Tão pouco se trata de um desejo que passe despercebido!


A corrida prossegue…

A força tonifica-se! O seu ritmo ensina o meu coração a bater! Forte, intenso, cada vez mais vigoroso… Esta sincronia expande-se em mim em forma de calor.

Avizinha-se uma subida, a derradeira meta!

É grande, parece complicada e pouco solidária… Paralisei! … Serei capaz?

Talvez o maior obstáculo não seja a inclinação da subida, mas sim o medo! O medo de tentar assola qualquer alma! Porque pode doer, porque pode ser nocivo, porque simplesmente se trata de uma incógnita o que existe do lado de lá.

Mas, se na verdade, o que estiver para lá do meu alcance ocular for muito melhor do que o que conheço até aqui?

Se nunca tentar, nunca irei saber! E este calor não me quer deixar parar... Na cabeça o objectivo principal perpetua-se. É preciso persegui-lo!

Uma inspiração mais profunda é o combustível perfeito para reanimar o corpo e a alma.

Os meus pés tremem, não de cansaço mas sim de excitação.

Pé direito levanta. Corpo inclina. De novo em movimento! É agora! A missão é subir!

Os raios de sol apontam com mais intensidade e espessura… A relva parece mais quente, mas a sua cor continua a alimentar-me a esperança.

Corro! Subo! Custa mais, é certo, mas a ânsia de alcançar a meta revitaliza-me os músculos.

O calor aumenta. A boca seca consegue esboçar um sorriso!

Está quase…
Um passo… o estômago arrepia.
Dois passos… abro os braços à espera de redenção.
Três passos… o cume, o desejado!

Os raios uniram-se na sua origem quente e luminosa. O vento apaziguador abraça-me, deixando-me sentir, finalmente, o calor desta luz! A relva meiga massaja-me os pés esforçados, espalhando uma enorme sensação de bem-estar por todo meu corpo!

Deixo-me assim ficar, apenas com o sol na plenitude…

E no fim da corrida pergunto-me se valeu a pena…
A resposta é evidente: Não olharei para atrás!


"A diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana." (Louis Pasteur)


Para ti, Beatriz Marques*


Cindy Sousa, 13.Julho.2009

Insónia

Três e meia da manhã!

Os meus olhos continuam pregados ao tecto do meu quarto e nada me leva a crer que isso mude nos próximos minutos…

A cama está demasiado quente, e o meu corpo parece ter aumentado de tamanho, de tal maneira que não vejo jeito de o aninhar de forma confortável!

Viro-me para um lado… Instantes depois, estou a virar-me para o outro… Não está a resultar! De barriga para baixo… Nem pensar, o ar escasseia. Farta desta batalha com a minha própria cama decido então encarar de frente a altura do meu quarto.

O meu olhar continua perdido em tamanha escuridão. Poderia pôr em prática a tão popular fórmula mágica para adormecer: contar carneirinhos. Mas… a minha relação com o campo não é assim tão próxima, e confesso que tenho uma grande dificuldade em entender como é que alguém consegue adormecer assim…

O tempo vai passando e o sono teima em não aparecer. Com tanto tempo ocupado no vazio, fica fácil, portanto, pensar no quotidiano. É instintivo fazer um rápido resumo sobre os altos e os baixos do meu dia. Os problemas vêm logo à tona… Palavras ditas, gestos impensados…
Atravesso assim a madrugada a pensar na forma como o dia se desenrolou, juntando ainda o pesar na consciência ao ver que, se pudesse voltar atrás, reformularia tudo. Se pudesse, faria tudo diferente…

Minuto após minuto, o tempo continua sem pausar e, o meu subconsciente começa então a entrar em dispersão de pensamentos; mistura situações, pessoas, sentimentos. Um turbilhão estranho invade o meu interior. O meu corpo é apoderado por uma dormência cada vez mais evidente. Sinto-me impotente de fazer seja o que for e deixo-me assim levar neste balanço.

Os meus olhos estavam já fechados quando algo muito diferente comecei a sentir. Julgava eu que a minha ligação campestre era diminuta, mas agora o que via era algo muito similar a um campo relvado, um vasto campo, assoalhado e ao mesmo tempo fresco! Não havia ninguém em redor, nenhum sinal de stress, nem de vidas apressadas, apenas… leveza, plenitude, liberdade! A minha respiração era calma e profunda. O meu corpo tinha finalmente encontrado algum bem-estar. Nada ocupava a minha mente naquele momento. Apenas me limitava a idolatrar aquele lugar fantástico e fantasiado. Era bom estar ali e sentir-me assim!


Sentia-me como se estivesse deitada sobre a relva, de braços abertos, contemplando a sua textura tão macia e relaxante quando, de súbito, um barulho ruidoso e intenso me assustou. Instintivamente abri os olhos e, estremunhada, indaguei a origem daquele som tão desagradável…

O meu telemóvel! Eram oito da manhã, hora de despertar…
Calei-o com desprezo. A minha cabeça estava dorida e uma lágrima involuntária soltou-se do meu olhar, ainda cerrado. Talvez fosse aquela pequena gota a evidência de que a verdadeira insónia começava agora!

Havia mais um dia a enfrentar, era preciso ganhar coragem para um novo desafio. Mas nem sempre isso é uma tarefa fácil. Por vezes, começamos o nosso dia já a contar as horas que faltam para nos voltarmos a deitar. Porque, por muito mau que seja passar uma noite em claro, pelo menos, e mesmo que seja por breves horas, conseguimos aprofundar o nosso subconsciente numa fantasia totalmente utópica, que acaba por ser muito mais compensadora que certas experiências que temos de suportar enquanto estamos acordados.

Por agora, limito-me a contar as horas…


Cindy Sousa, 08.Junho.2009

Sensível

E lá vem ela voando saltitante com o seu ar gracioso e contagiante!

O seu rosto expressa energia de viver, e o ritmo do seu corpo assim o acompanha, envolvido em vontade e desejo… Basta um subtil cruzamento por ela para desde logo se ficar fascinado com um ser assim, tão leve, solto, singelo, … amável!

Liberdade é o seu apelido, sem dúvida! Para esta borboleta nada mais é tão valioso do que voar livremente… Aventurar-se por todos os campos, coloridos e também os agrestes… Não importa se o caminho é longo, ou se pode ser doloroso… Valerá sempre a pena, basta que a vontade de ir à descoberta surja!

Poucos de nós temos o privilégio da comunhão com tão jovial e ímpar individualidade! Mas não é tarefa fácil saber lidar com uma personalidade tão independente… Não vive sem amor, mas este amor não pode, de todo, prender-lhe as asas… Só seremos merecedores da sua consideração e verdadeira estima se soubermos respeitar o seu campo de manobra! Se por um mero descuido ou distracção violarmos o seu espaço, toda a sua teimosia furiosa se exterioriza num aterrorizador silêncio, fruto do orgulho que instintivamente alimenta como auto-defesa.

Sensível, procura proteger-se a ela própria de todos os possíveis perigos ou medos que não quer englobar na sua vida descomprometida e ao mesmo tempo tão carente…

Sonhadora mas sem delírios inúteis. Para ela, o tempo é para ser aproveitado com muita acção e pouca meditação. Vive por impulsos e não por regras sociais! Por vezes, sente-se rendida a procurar conselhos, mas se não a agradarem, acabará por seguir as suas próprias doutrinas, atirando-se de cabeça, se só assim encontrar satisfação!

Possuidora de uma simplicidade tão excepcional, muitas vezes se torna um autêntico paradoxo para quem a observa… Esta brilhante borboleta manifesta o que sente sempre tímida e discretamente, mostrando os traços e cores das suas asas apenas a quem sente total confiança.

Abraçá-la sem prendê-la; ouvi-la com interesse; compreendê-la com carinho; orientá-la sem imposições; limpar-lhe as lágrimas com lenços puros de amor; memorá-la com saudade; celebrar cada sorriso espontâneo da sua alma; enaltecer todo o seu esplendor sem apontar-lhe pejorativamente o dedo…

Entender a sua essência é deixá-la ir, e de certo que ela voltará, agradecida!

Assim és tu!

Obrigada pela criação que temos feito juntas: A Nossa Amizade!
Ensinas-me a voar? =P

Para: Ana Soares.


Cindy Sousa, 31.Maio.2009

Queda Livre

Longe vão os tempos em que o valor da palavra dada era condição necessária e suficiente para assumir qualquer tipo de responsabilidades e compromissos entre as pessoas.
Confiança, fidelidade, lealdade, cumplicidade, honestidade, frontalidade, … são alguns dos exemplos de palavras que estão bem presentes na nossa língua viva, mas no entanto, o seu significado creio estar cada vez mais morto!
Quem realmente, hoje em dia, se preocupa com estes valores?
Poucos! São mesmo muito poucos aqueles que ainda se atrevem a seguir religiosamente as doutrinas que estes valores representam. E destes seres cada vez mais extintos, quantos é que não sofrem as consequências pesadas de seguirem as regras, de não pularem a cerca do Bem? Pois… talvez nenhum!
Quantas vezes acabamos por nos arrepender por ter atitudes fidedignas com quem nos amaldiçoa nas nossas costas? É inevitável não passar por este sentimento. Acredito piamente que todos nós, em alguma circunstância da nossa vida, ponderámos melhor sobre algum gesto bondoso da nossa parte para com outrem e sentimos que não valeu a pena, que teríamos ganhado mais em estarmos quietos no nosso canto.
A sociedade sofreu grandes mutações ao longo dos séculos. Apesar da minha grande inexperiência de vida, e da minha bagagem de vivências ser ainda diminuta, consigo enxergar claramente como os critérios de conduta do Ser Humano têm declinado abismalmente.
Crescemos a ouvir os conselhos e alertas dos nossos progenitores. É-nos incutida a responsabilidade de sermos boas pessoas, de sermos correctos com os outros e connosco próprios. Fazemos disso ideais de vida e, inconscientemente, acabamos por julgar que os outros são estruturados das mesmas bases que nós. Pensamos que todos foram preparados para a vida como nós fomos. Mas nem toda a gente (quase ninguém!, em boa verdade) teve o privilégio de ter tamanha educação e aprendizagem!
E à conta disso, este Mundo vai diminuindo de qualidade no que toca à raça humana. Os bons são maltratados pelos maus, e os maus serão sempre maus ou ainda piores!
É uma queda livre nos valores sensatos que as gerações transactas cultivaram para nos oferecer e que nós (ou a maioria de nós) não estamos a saber aproveitar… E se esta queda livre não parar, o que vai ser feito das gentes vindouras? Que pais seremos nós para educar os nossos filhos? Em que bases nos vamos sustentar para os educar? Como vamos educar alguém se Educação é algo que está em risco de extinção, já nesta geração actual?
Apesar do grande desalento que me invade visceralmente ao olhar de frente para esta realidade enferma, ainda consigo alimentar uma ínfima esperança de que algum travão faça mudar a mentalidade competitiva e crespa desta sociedade.
Que os bons nunca desistam de o ser, e que os maus aprendam com os bons a serem pessoas melhores!


Cindy Sousa, 04.Maio.2009

Fairy tale

So come girl… Come and have a place close to me… Can you hear me well? ‘Cause there’s something I need to say… A something that I cannot understand, and I hope you can explain…
So let’s start to talk about your fairy tale. Yes, this is a dream! Do you really believe that will be real???
I confess, your notion about life is so short, than I cannot imagine it could be… This put me sad, ‘cause all the things I said, all the things I wrote to you, and everything I did for you, now I see that not worth a thing.
Just because you are an incredible paradox of human being… You follow your life through opposites. How can you be really happy with this kind of life?
We know so well that when you go to bed, you wish have someone with you, touching your face with care, telling you sweet things, you know, what you really need is Love! True Love!! Not this man that I’m doubting if he’s in effect a MAN!
But you persist in try to find love and care, following the wrong ways, doing things prohibited. Are you insane? Why do you insisting break the rules? Is this your way to show to world you are here?
Let me explain this! You don’t need to disappoint people, don’t need to tease who really cares with you. You deserve more, why don’t you try to be honest with yourself once?
If you believe that he will choose you, that he will fight for you and make you see that you are special, do not you fooled! The way he deceives you, he has deceived others in the same way. And you know that! So, if you know this, don’t keep living this dream! This is not real, and will never be!
But now is your turn to choose by your own way. Someone told me: “No-one can change the future of the others.”
If you wanna fall, you’ll fall alone.
I only have one thing to say to you: Good Luck!

And you boy, you really put me sick! Who do you think you are to dominate someone like this? Remember, every evil is paid. Justice can delay but not crashes! And your day, sooner or later, will arrive! But meanwhile not ruining the lives of innocent people! You not valley a shit! And you can be sure that I will be watching you! I will be watching you!! .l.
Shame on you, Girl! Hate you, Boy!


Cindy Sousa, 29.Abril.2009

(Sem Título 2)

Posso não ser exactamente a pessoa que tu gostavas que eu fosse.
Posso não ter um lugar de topo na tua vida.
Posso até estar presente quando tu precisas e também quando tu desejas que eu não esteja.
Posso me machucar, esbarrar com a cara no chão, só para que tu não passes por isso.
Posso levar-te a fazer coisas do jeito que tu não querias fazer, e posso fazer-te pensar em coisas que tu nunca imaginarias.
Posso levar-te até à exaustão. Mas também posso deixar-te a morrer de saudades minhas.
Posso fazer de conta que não ligo nenhuma, mas não posso honestamente fazê-lo.
Posso recorrer ao insulto, bater com a mão na mesa e fechar a porta com força atrás de mim.
Mas também posso agonizar com o arrependimento.
Posso pedir desculpa, posso desejar que tu me peças desculpa.
Posso crer no amanhã, com base no que pude ontem, e antes de ontem, e….
Se bem que também posso deitar tudo fora para puder ter um novo amanhã.

E tu?
Tu podes fazer de mim gato-sapato.
Podes virar do avesso o meu mundo e todas as minhas convicções.
Podes, uns dias, ser um doce. E podes também, noutros dias, ser um cubo de gelo.
Podes dizer para eu ir, e no dia a seguir podes implorar-me para eu voltar.
Podes dizer que não dá mais.
Podes ir embora.
Podes nunca mais voltar.
Mas eu sei, e tu sabes também, que podes pensar que podes viver sem mim, mas a recordação de tudo que eu pude fazer por ti, de tudo que eu pude e que tu pudeste, que nós pudemos ser, isso tu nunca vais puder esquecer, e nunca o vais puder viver com outro alguém que não eu!


Cindy Sousa, 23 de Abril de 2009

Dei por mim a sorrir!

Dei por mim a sorrir!
Sozinha no quarto, descontraidamente deitada, com um braço a fazer de “tripé” à minha cabeça e com um sorriso misterioso na boca… Foi assim que me deparei quando voltei ao meu estado consciente…
Terei estado noutra dimensão muito tempo? Ou apenas alguns segundos? Não sei… Perdi por completo a noção de tempo…
Ao voltar à realidade, era notária a sensação de que estivera embebida em pensamentos profundos… Tão profundos que alguns dos quais não sou capaz sequer de me lembrar… Estaria eu a sonhar acordada?
Fosse qual fosse o estranho fenómeno pelo qual havia passado, tivesse sido ele perene ou efémero, uma certeza tinha – EU ESTAVA A SORRIR!
E olhando mais pormenorizadamente para o assunto, afinal de contas não era só a minha boca que sorria… Conseguia decifrar com toda a clareza uma sensação magnífica por todo o meu corpo! Tudo em mim fora invadido por uma intensa leveza e, uma sensação de bem-estar tinha-se instalado em todos os meus membros.
Mas então, em que estivera eu a pensar??? Por onde terei andado a flutuar?
Encetei então uma pesquisa minuciosa em busca de respostas… Poderiam chamar-me de louca por estar a dar tanta atenção a um caso tão simples da vida… Mas terá sido mesmo este, um caso simples? As sensações que me estava a proporcionar não eram sensações que eu tivesse o privilégio de sentir todos dias. Logo, e para mim bastava-me apenas e só este facto, valia a pena investigar as origens destas vibrações. Considerando a escassez destas ocorrências fazia todo o sentido desvendar a sua fonte, para noutras ocasiões poder repetir tal harmonia no corpo e na alma. Mas… mesmo que encontrasse as respostas que ansiava, mesmo que descobrisse como fazer para o voltar a sentir, sempre que fosse meu apanágio, será que seria igual ao fenómeno que vivi? Será que o resultado em mim iria ser o mesmo?
Bem… apesar de não saber as respostas para estas inquietações, decidi avançar na pesquisa…
Comecei pelo que me pareceu mais fácil: Quais foram os pensamentos mais recentes? Em que estivera a pensar momentos antes de ter ressurgido perante a vida real?
Apressei-me logo a pôr “mãos à obra”, não fosse a memória atraiçoar-me e até estas lembranças recentes me roubar…

Vultos… Consigo lembrar-me de corpos… Mas algo de estranho havia com estes semblantes… estavam escuros. Tão negros que não consegui descortinar os rostos a que pertenciam…
De facto, não havia nada de errado com aquelas figuras! Eram apenas sintomas da minha memória a esvair-se. Não! Isso não pode acontecer até que chegue, pelo menos, ao reconhecimento de algum rosto naqueles corpos! Fiz um esforço, grande! E daí a instantes, a imagem na minha mente tornou-se cada vez menos sombria… Aos poucos, havia uma clareza cada vez mais nítida e também outro obstáculo pela frente: reconhecer os rostos!
Eram caras que me proporcionavam uma sensação de familiaridade. Já tivera eu visto aquelas pessoas outrora? Será que estivera com elas em algum instante da minha vida?
Talvez fossem apenas actores de alguma novela da Tv., ou talvez tivesse passado por estas pessoas na rua, enquanto caminhava apressada…
Mas… algo me fazia sentir que havia uma maior ligação entre mim e estas caras… Mas qual?
O exercício da mente é algo que nos exige muita concentração e paciência para que consigamos algum tipo de resultado. É preciso dar o tempo necessário à nossa própria memória para que ela fale connosco…
Até que, subitamente, um flash disparou!
Já sabia quem eram aquelas pessoas! Já sabia que não eram actores, nem transeuntes… Aquelas pessoas… Meu Deus… aqueles rostos, aqueles vultos pertenciam aos meus amigos! Tinham sido as pessoas especiais da minha vida que me tinham invadido o pensamento, que me haviam deixado com esta sensação de plenitude…
Por fim, ao constatar que durante aquele estranho fenómeno, estivera a recordar as pessoas que dão sentido à minha vida, o meu sorriso aumentou!
CONTINUO A SORRIR!!!


Cindy Sousa, 15 de Abril de 2009

Sazonalidade dos Sentimentos

Está frio! É certo que lá fora chove, a natureza apresenta tons de cinza e a vida parece que não vive. Mas o frio que sinto não vem de fora. Está cá dentro, como se alguém me tivesse depositado numa arca congeladora… Não falo do meu corpo, mas sim da minha alma… do meu coração!
Se os sentimentos fossem como as estações do ano, tudo seria mais simples. Pelo menos teria a certeza que depois da alegria e entusiasmo, comparável ao Verão, passaria para uma acalmia eterna, residente no Outono e, mesmo que passasse pela depressão gémea do Inverno, saberia que mais tarde a minha aura voltaria a florir primaverilmente.
Mas a sensação que persiste agora é que passei drasticamente de um Verão efémero para o gelado e solitário Inverno.
A esperança congelou, a alegria quebrou de cieiro. Parece que nada se move. Nada se sente… apenas o frio! O vazio… Apenas resta a profundidade dolorosa e cortante de memórias de uma época que tão rapidamente veio como se foi. O calor de cada gesto afectuoso, que me bronzeava a alma de dia para dia. A vontade, o desejo, o pensamento futurista que se alimentava no meu corpo nu, em plena praia de sentimentos… Algo muito perto da teoria do “sonho tornado realidade” que me fora roubado com a frieza veloz de outra estação; de outra realidade, talvez da verdadeira realidade, a efectiva…
Pois, como ouvi algures, o erro faz parte da vida… Quem arrisca, tanto pode ganhar como perder. Ganhei ou perdi?
Talvez tenha ganhado! Justiça seja feita – o valor das coisas não está no tempo que duram, mas sim na intensidade com que são vividas. E, pelo menos, eu vivi intensamente. Ingenuamente. Imaturamente. Acreditei, apostei, e vivi sem pensar que poderia estar a alimentar um conto de fadas. Ganhei, porque é com a experiência que se aprende, que se amadurece, que se humaniza! Ganhei, porque é na convivência com os outros que nos conhecemos melhor a nós próprios. Ganhei ao mostrar a minha essência, genuína e sincera! Se não foi estimada, se não foi valorizada e tomada em linha de conta, isso já não é da minha responsabilidade. Fui quem sou, e ganhei por isso mesmo!
Se perdi, apenas foi o sonho e a vontade de prolongar no tempo este estado de espírito que se esvaneceu de forma precoce.
A vida é isto mesmo – um ciclo sazonal de sentimentos e emoções. Uns dias tudo floresce e brilha, outros dias tudo padece, falece… até voltar a nascer mais tarde, de uma forma ou de outra!
Por agora, continua frio.
Talvez o sol volte a brilhar amanhã, ou depois… Quem sabe?


Cindy Sousa, 11.Dezembro.2008

FUGA

Está na hora! É agora! Chegou a minha vez… É tempo de emergir!
Vou fugir, vou correr, vou atirar-me de cabeça com a certeza que, seja o que for que encontrar do lado de lá, será merecedor desta minha fuga.
Farei da liberdade o meu refúgio, o meu esconderijo secreto onde só tem livre-passe quem algum dia, mesmo que por um mero instante, me tenha rejubilado a alma.
Vou seguir em frente, irei por caminhos bravios se tal for necessário, mas levo comigo armas suficientes para derrubar as barreiras e os obstáculos – Esperança. Garra. Amor!
Tanto posso querer estagnar subitamente como nunca mais parar! Isso não importa! A viagem da vida não tem ponto de chegada, nem muito menos hora de conclusão…
Há quem procure argumentos (plausíveis ou não!) para mergulhar. Mas eu não! Eu vou, porque sim! Porque simplesmente assim quero! Porque emana em mim uma vontade… a vontade profunda e incontrolável de ir! E vou!!
Vou com a certeza que não será em vão… e nem chegarei perto do risco de afundar! O fracasso não vigora na ordem do dia…
Só há uma opção – a de ir!
Está na hora! Esta é a minha vez!
Vou saltar, de braços bem abertos, absorvendo o mais que puder, a brisa fresca e renovadora que me invade o corpo pelas narinas. Serei capaz de abrir os olhos, em pleno acto, e ver como o meu corpo acompanha tão fielmente a leveza de minha alma, do meu espírito.
Vou respirar fundo, vou sentir!
Deixo para trás o medo. O seu tempo de domínio sobre mim terminou.
Serei livre! Livre o suficiente para conseguir ultrapassar qualquer tipo de privação, qualquer tipo de dor, de desalento ou desilusão!
A clareza do dia brilha incessante, impulsionando-me para dar início à viagem, ao meu grito desejoso de vida!
Pois bem… Será! Chegou a hora – a derradeira!
Aqui começa a minha luta! Sem regresso!
Em nome da Felicidade… VOU CONSEGUIR!


Cindy Sousa, 13.Julho.2008

Distância de Segurança

À primeira vista pode parecer que é o Código de Estrada o tema deste desabafo, mas não!
Em vários aspectos da vida é importante saber manter uma certa e determinada distância de segurança. Falo em concreto dos sentimentos e das relações que se geram através deles.
Quando se inicia uma relação, seja ela de que género for, há sempre aquela expectativa de como se vai desenvolver, o desejo de que perdure por muito tempo, mas também há o medo, o receio de que a relação padeça.
Os primeiros tempos são sempre inesquecíveis… as promessas que se fazem, os sonhos que se criam juntos, o querer partilhar tudo e mais alguma coisa, a vontade constante de se estar junto, a saudade que surge logo no momento a seguir à despedida, as aventuras que se vivem, as loucuras saudáveis que se partilham, os segredos, … enfim… mil e uma coisas maravilhosas que nos animam e nos enche o coração de alegria e orgulho.
Porém, e é lamentável que assim seja, mas por vezes, e como ninguém é perfeito, essas relações perdem o encanto, tornam-se azedas. É uma fase terrível, pois nessa altura todos os nossos medos iniciais parecem ganhar força própria e tornam-se cada vez mais reais.
Todos os nossos valores e crenças são postos em causa quando a nossa estimada e desejada relação começa a ser atacada e absorvida por sentimentos e atitudes nefastas. É pena mas infelizmente todos nós já sofremos na pele nalguma altura da nossa vida o choque de saber que algo que nos era tão querido é, aos poucos, destruído por motivos vários como por exemplo a mentira, a traição, o cinismo, a falsidade, os “segundos interesses”, o oportunismo, a hipocrisia, …
Aí o desgosto aparece. É como se nos atirassem, com toda a força, uma pedra pontiaguda bem direccionada ao coração! Parece que nada fez sentido, até a confiança em nós próprios perdemos e acabamos por entrar em depressão!!
Por isso, antes de amarmos alguém, devemos aprender a amarmo-nos a nós próprios, acima de tudo.
É bom usufruir de todos os bons momentos que uma relação nos pode dar, é bom vivê-los com toda a intensidade e é óptimo recordar isso passado algum tempo, mas também é necessário manter a racionalidade e ter a consciência de que toda a gente erra…
Por vezes, pode ser sem essa intenção, mas acabamos por sair magoados com alguns gestos, com algumas palavras…
Manter uma distância de segurança entre o sonho e a realidade talvez seja o melhor caminho para minimizar sofrimentos…
É difícil, eu sei! Falo por experiencia própria! Se não gostarmos de nós próprios, ninguém mais gostará!

Cindy Sousa, 30.Setembro.2006

Arrumar o passado

Dizem que a vida é apenas uma passagem...
Na maior parte das vezes, os momentos especiais e as pessoas que neles participam acabam por ficar perdidos no tempo e na memória. Nas alturas em que podíamos, não fomos capazes de dar o devido valor, não soubemos expressar convenientemente os nossos sentimentos por essas pessoas...

O tempo vai passando, vamos arranjando outras ocupações e outras companhias e acabamos sempre por perder a oportunidade de agradecer aquelas pessoas por aqueles momentos fantásticos que vivemos juntos. Porque se pusermos a mão na consciência vamos encontrar, de certeza, aspectos em que mudamos graças a convivência que tivemos e as experiências que passámos.

Mas o tempo é devastador e, e lamentável que assim o seja, mas há coisas que muito dificilmente serão recuperadas porque não foram resolvidas enquanto havia tempo.

Sem rancor, resta-me apenas recordar um passado que tenho em comum com algumas pessoas e deixar aqui o meu pesar por já não partilharmos o mesmo presente. As pessoas que tem sobrevivido ao passar do tempo e que hoje continuam a ter a mesma importância que tinham para mim, agradeço-vos muito pela vossa presença ininterrupta na minha vida e faço votos que assim continue a ser, neste presente e no futuro que nos avizinha.


Cindy Sousa, 01.Abril.2006

Tempo

Porque fico eu tão triste
Com o passar do tempo,
Se é através dele
Que se adquire experiência?!
É só um sentimento…
(Não vem da inteligência)
Triste e frustrante lamento
É este: ter noção do tempo
Tempo que é amigo do vento
Passa sem nunca voltar
Passa… e não volta o mesmo
Com a mesma força de soprar…
E perco assim o meu tempo… a divagar
Pois divago! Para não lembrar
Que enquanto divago
O tempo passa, sem parar!

Cindy Sousa, 11.Março.2005

(Sem Título)

Ai! O quanto me enraivece
Estar assim a sofrer
Por um amor que envelhece
Muito antes de nascer

Querer e não ter
Sofrer ao perder
Igual a mim não ser
Amar assim até morrer

Cindy Sousa, 14.Dezembro.2004

Ninguém gosta de mim

Pensar mais do que viver.
Sentidos de vida adversos
Formas diferentes de sofrer
Este é o valor dos meus versos.

(Por vezes)
Vives no mundo da fantasia
Numa inconsciente alegria
Comtemplas os momentos de diversão,
Sem dar ouvidos à razão.
Mas nos assuntos do coração
Não esqueces a dor que sentes, não!

Personalidade independente
Preservas a liberdade.
Só te importa o presente
Difícil é esconder a saudade!!

Como podes tu ignorar o futuro,
Se vives em constante agitação?
Tens medo de perder o Bruno
Será isso mesmo a Paixão?!

Pequenina, leve e engraçada
Toda a gente te acha piada
Mas cuidado! com as companhias
Gente há com muitas manias
Interesseira é essa gente
… deprimente!
Gente que mente, desgraçada!!
Ambiciona tudo, não ajuda nada!

Roupa suja não quero lavar!
Por isso, avanço nesta redacção
Falando do que não esqueço
Daquilo que toca no coração:

Fruto de um jogo do Além
Assim surgiu a nossa amizade
Uns dias mal, outros bem
Vamos crescendo nesta irmandade.

Discussão, ciúme, indiferença, …
Não adianta enumerar!
Alegria, brincadeira, confiança, …
Isso sim! É bom de lembrar!

Mil e uma coisas poderia eu dizer
Sem nunca me repetir
Coisas que estás farta de saber
Vou parar! Escusas de pedir…

Finda-se o poema.
(mas não a amizade!)

Com estima me despeço
Enfim…
Acabo como começo:
“Ninguém” gosta de mim!


Cindy Sousa, 18.Novembro.2004

Vi!

Vi!

Senti o que vi

Escrevi o que senti

Mas afinal o que escrevi

Não foi o que vi

Mas apenas o que senti

Daquilo que vi…


Cindy Sousa, 01.Agosto.2004

Se fosses uma música

Se fosses uma música
Serias a minha balada
Nos tempos de solidão
Chegarias ao meu coração
Com as tuas notas de refrão.

Se fosses uma música
Ouvir-te-ia o resto da vida
Nada mais eu quereria
Para além da tua melodia
Queria apenas a alegria
Versada em ti, minha sinfonia.

Se fosses uma música
Eu queria ser o maestro
Para esbracejar o teu ser
Deixar-me-ia envolver
Pelos teus acordes
Que eu orquestro.

Se fosses uma música
Eu quereria ser o disco
E certamente que nenhum risco
Seria capaz de nos estragar
E todo o mundo, por ti, continuaria a cantar.

Se fosses uma música
Serias tudo o que eu queria
Serias…
Simplesmente a minha vida!

Cindy Sousa, 28.Maio.2004

Simplesmente Voar

Por vezes,
Desejo ser ave para voar
Voar sem parar
Impor a minha presença
Neste imenso céu

Voar para não sentir
Teu corpo a partir
Teu beijo que se perdeu
Sem chegar para me encontrar

Voar, voar
Voar sem parar
E sem pensar
No que virá depois

Querer sentir
A liberdade no rosto
Querer fugir
Do amor que me prendeu
Do abraço que se deu
Do olhar doce
Que é o teu

Quero voar
Voar para não lembrar
Todos os momentos
De loucura
Que depois da aventura
Se desvaneceram
Sem saber porquê

Quero voar
Fugir, cantar

Voar sem rumo
Voar só por voar
Sem nada a perder
Parar de sofrer
Deixar de te amar!

Quero voar
Voar eternamente
Tocar no infinito
Sentir o sol quente
Afogar a chama que sinto
Cá dentro… por ti!

E no final
Quero voar
Para te apagar
Da memória
Voar sem parar

E tudo o que faço
É voar por ti

Mas tudo o queria
Era apenas voar
Voar sem parar
SIMPLESMENTE VOAR!

Cindy Sousa, 28.Agosto.2003