(Sem Título 2)

Posso não ser exactamente a pessoa que tu gostavas que eu fosse.
Posso não ter um lugar de topo na tua vida.
Posso até estar presente quando tu precisas e também quando tu desejas que eu não esteja.
Posso me machucar, esbarrar com a cara no chão, só para que tu não passes por isso.
Posso levar-te a fazer coisas do jeito que tu não querias fazer, e posso fazer-te pensar em coisas que tu nunca imaginarias.
Posso levar-te até à exaustão. Mas também posso deixar-te a morrer de saudades minhas.
Posso fazer de conta que não ligo nenhuma, mas não posso honestamente fazê-lo.
Posso recorrer ao insulto, bater com a mão na mesa e fechar a porta com força atrás de mim.
Mas também posso agonizar com o arrependimento.
Posso pedir desculpa, posso desejar que tu me peças desculpa.
Posso crer no amanhã, com base no que pude ontem, e antes de ontem, e….
Se bem que também posso deitar tudo fora para puder ter um novo amanhã.

E tu?
Tu podes fazer de mim gato-sapato.
Podes virar do avesso o meu mundo e todas as minhas convicções.
Podes, uns dias, ser um doce. E podes também, noutros dias, ser um cubo de gelo.
Podes dizer para eu ir, e no dia a seguir podes implorar-me para eu voltar.
Podes dizer que não dá mais.
Podes ir embora.
Podes nunca mais voltar.
Mas eu sei, e tu sabes também, que podes pensar que podes viver sem mim, mas a recordação de tudo que eu pude fazer por ti, de tudo que eu pude e que tu pudeste, que nós pudemos ser, isso tu nunca vais puder esquecer, e nunca o vais puder viver com outro alguém que não eu!


Cindy Sousa, 23 de Abril de 2009

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