Dei por mim a sorrir!

Dei por mim a sorrir!
Sozinha no quarto, descontraidamente deitada, com um braço a fazer de “tripé” à minha cabeça e com um sorriso misterioso na boca… Foi assim que me deparei quando voltei ao meu estado consciente…
Terei estado noutra dimensão muito tempo? Ou apenas alguns segundos? Não sei… Perdi por completo a noção de tempo…
Ao voltar à realidade, era notária a sensação de que estivera embebida em pensamentos profundos… Tão profundos que alguns dos quais não sou capaz sequer de me lembrar… Estaria eu a sonhar acordada?
Fosse qual fosse o estranho fenómeno pelo qual havia passado, tivesse sido ele perene ou efémero, uma certeza tinha – EU ESTAVA A SORRIR!
E olhando mais pormenorizadamente para o assunto, afinal de contas não era só a minha boca que sorria… Conseguia decifrar com toda a clareza uma sensação magnífica por todo o meu corpo! Tudo em mim fora invadido por uma intensa leveza e, uma sensação de bem-estar tinha-se instalado em todos os meus membros.
Mas então, em que estivera eu a pensar??? Por onde terei andado a flutuar?
Encetei então uma pesquisa minuciosa em busca de respostas… Poderiam chamar-me de louca por estar a dar tanta atenção a um caso tão simples da vida… Mas terá sido mesmo este, um caso simples? As sensações que me estava a proporcionar não eram sensações que eu tivesse o privilégio de sentir todos dias. Logo, e para mim bastava-me apenas e só este facto, valia a pena investigar as origens destas vibrações. Considerando a escassez destas ocorrências fazia todo o sentido desvendar a sua fonte, para noutras ocasiões poder repetir tal harmonia no corpo e na alma. Mas… mesmo que encontrasse as respostas que ansiava, mesmo que descobrisse como fazer para o voltar a sentir, sempre que fosse meu apanágio, será que seria igual ao fenómeno que vivi? Será que o resultado em mim iria ser o mesmo?
Bem… apesar de não saber as respostas para estas inquietações, decidi avançar na pesquisa…
Comecei pelo que me pareceu mais fácil: Quais foram os pensamentos mais recentes? Em que estivera a pensar momentos antes de ter ressurgido perante a vida real?
Apressei-me logo a pôr “mãos à obra”, não fosse a memória atraiçoar-me e até estas lembranças recentes me roubar…

Vultos… Consigo lembrar-me de corpos… Mas algo de estranho havia com estes semblantes… estavam escuros. Tão negros que não consegui descortinar os rostos a que pertenciam…
De facto, não havia nada de errado com aquelas figuras! Eram apenas sintomas da minha memória a esvair-se. Não! Isso não pode acontecer até que chegue, pelo menos, ao reconhecimento de algum rosto naqueles corpos! Fiz um esforço, grande! E daí a instantes, a imagem na minha mente tornou-se cada vez menos sombria… Aos poucos, havia uma clareza cada vez mais nítida e também outro obstáculo pela frente: reconhecer os rostos!
Eram caras que me proporcionavam uma sensação de familiaridade. Já tivera eu visto aquelas pessoas outrora? Será que estivera com elas em algum instante da minha vida?
Talvez fossem apenas actores de alguma novela da Tv., ou talvez tivesse passado por estas pessoas na rua, enquanto caminhava apressada…
Mas… algo me fazia sentir que havia uma maior ligação entre mim e estas caras… Mas qual?
O exercício da mente é algo que nos exige muita concentração e paciência para que consigamos algum tipo de resultado. É preciso dar o tempo necessário à nossa própria memória para que ela fale connosco…
Até que, subitamente, um flash disparou!
Já sabia quem eram aquelas pessoas! Já sabia que não eram actores, nem transeuntes… Aquelas pessoas… Meu Deus… aqueles rostos, aqueles vultos pertenciam aos meus amigos! Tinham sido as pessoas especiais da minha vida que me tinham invadido o pensamento, que me haviam deixado com esta sensação de plenitude…
Por fim, ao constatar que durante aquele estranho fenómeno, estivera a recordar as pessoas que dão sentido à minha vida, o meu sorriso aumentou!
CONTINUO A SORRIR!!!


Cindy Sousa, 15 de Abril de 2009

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