Três e meia da manhã!
Os meus olhos continuam pregados ao tecto do meu quarto e nada me leva a crer que isso mude nos próximos minutos…
A cama está demasiado quente, e o meu corpo parece ter aumentado de tamanho, de tal maneira que não vejo jeito de o aninhar de forma confortável!
Viro-me para um lado… Instantes depois, estou a virar-me para o outro… Não está a resultar! De barriga para baixo… Nem pensar, o ar escasseia. Farta desta batalha com a minha própria cama decido então encarar de frente a altura do meu quarto.
O meu olhar continua perdido em tamanha escuridão. Poderia pôr em prática a tão popular fórmula mágica para adormecer: contar carneirinhos. Mas… a minha relação com o campo não é assim tão próxima, e confesso que tenho uma grande dificuldade em entender como é que alguém consegue adormecer assim…
O tempo vai passando e o sono teima em não aparecer. Com tanto tempo ocupado no vazio, fica fácil, portanto, pensar no quotidiano. É instintivo fazer um rápido resumo sobre os altos e os baixos do meu dia. Os problemas vêm logo à tona… Palavras ditas, gestos impensados…
Atravesso assim a madrugada a pensar na forma como o dia se desenrolou, juntando ainda o pesar na consciência ao ver que, se pudesse voltar atrás, reformularia tudo. Se pudesse, faria tudo diferente…
Minuto após minuto, o tempo continua sem pausar e, o meu subconsciente começa então a entrar em dispersão de pensamentos; mistura situações, pessoas, sentimentos. Um turbilhão estranho invade o meu interior. O meu corpo é apoderado por uma dormência cada vez mais evidente. Sinto-me impotente de fazer seja o que for e deixo-me assim levar neste balanço.
Os meus olhos estavam já fechados quando algo muito diferente comecei a sentir. Julgava eu que a minha ligação campestre era diminuta, mas agora o que via era algo muito similar a um campo relvado, um vasto campo, assoalhado e ao mesmo tempo fresco! Não havia ninguém em redor, nenhum sinal de stress, nem de vidas apressadas, apenas… leveza, plenitude, liberdade! A minha respiração era calma e profunda. O meu corpo tinha finalmente encontrado algum bem-estar. Nada ocupava a minha mente naquele momento. Apenas me limitava a idolatrar aquele lugar fantástico e fantasiado. Era bom estar ali e sentir-me assim!
Sentia-me como se estivesse deitada sobre a relva, de braços abertos, contemplando a sua textura tão macia e relaxante quando, de súbito, um barulho ruidoso e intenso me assustou. Instintivamente abri os olhos e, estremunhada, indaguei a origem daquele som tão desagradável…
O meu telemóvel! Eram oito da manhã, hora de despertar…
Calei-o com desprezo. A minha cabeça estava dorida e uma lágrima involuntária soltou-se do meu olhar, ainda cerrado. Talvez fosse aquela pequena gota a evidência de que a verdadeira insónia começava agora!
Havia mais um dia a enfrentar, era preciso ganhar coragem para um novo desafio. Mas nem sempre isso é uma tarefa fácil. Por vezes, começamos o nosso dia já a contar as horas que faltam para nos voltarmos a deitar. Porque, por muito mau que seja passar uma noite em claro, pelo menos, e mesmo que seja por breves horas, conseguimos aprofundar o nosso subconsciente numa fantasia totalmente utópica, que acaba por ser muito mais compensadora que certas experiências que temos de suportar enquanto estamos acordados.
Por agora, limito-me a contar as horas…
Cindy Sousa, 08.Junho.2009
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estás simplesmente cansada... espero que não continues a caminhar para o abismo, quando pensares em desistir lembra te que não estás só, estaremos sempre aqui, se for necessário não deixes o grito mudo...
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