Está frio! É certo que lá fora chove, a natureza apresenta tons de cinza e a vida parece que não vive. Mas o frio que sinto não vem de fora. Está cá dentro, como se alguém me tivesse depositado numa arca congeladora… Não falo do meu corpo, mas sim da minha alma… do meu coração!
Se os sentimentos fossem como as estações do ano, tudo seria mais simples. Pelo menos teria a certeza que depois da alegria e entusiasmo, comparável ao Verão, passaria para uma acalmia eterna, residente no Outono e, mesmo que passasse pela depressão gémea do Inverno, saberia que mais tarde a minha aura voltaria a florir primaverilmente.
Mas a sensação que persiste agora é que passei drasticamente de um Verão efémero para o gelado e solitário Inverno.
A esperança congelou, a alegria quebrou de cieiro. Parece que nada se move. Nada se sente… apenas o frio! O vazio… Apenas resta a profundidade dolorosa e cortante de memórias de uma época que tão rapidamente veio como se foi. O calor de cada gesto afectuoso, que me bronzeava a alma de dia para dia. A vontade, o desejo, o pensamento futurista que se alimentava no meu corpo nu, em plena praia de sentimentos… Algo muito perto da teoria do “sonho tornado realidade” que me fora roubado com a frieza veloz de outra estação; de outra realidade, talvez da verdadeira realidade, a efectiva…
Pois, como ouvi algures, o erro faz parte da vida… Quem arrisca, tanto pode ganhar como perder. Ganhei ou perdi?
Talvez tenha ganhado! Justiça seja feita – o valor das coisas não está no tempo que duram, mas sim na intensidade com que são vividas. E, pelo menos, eu vivi intensamente. Ingenuamente. Imaturamente. Acreditei, apostei, e vivi sem pensar que poderia estar a alimentar um conto de fadas. Ganhei, porque é com a experiência que se aprende, que se amadurece, que se humaniza! Ganhei, porque é na convivência com os outros que nos conhecemos melhor a nós próprios. Ganhei ao mostrar a minha essência, genuína e sincera! Se não foi estimada, se não foi valorizada e tomada em linha de conta, isso já não é da minha responsabilidade. Fui quem sou, e ganhei por isso mesmo!
Se perdi, apenas foi o sonho e a vontade de prolongar no tempo este estado de espírito que se esvaneceu de forma precoce.
A vida é isto mesmo – um ciclo sazonal de sentimentos e emoções. Uns dias tudo floresce e brilha, outros dias tudo padece, falece… até voltar a nascer mais tarde, de uma forma ou de outra!
Por agora, continua frio.
Talvez o sol volte a brilhar amanhã, ou depois… Quem sabe?
Cindy Sousa, 11.Dezembro.2008
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