Finalmente encontro algum aconchego…
Já é tarde quando recorro ao meu grande e solitário refúgio – a minha cama!
Enrosco-me o mais que posso, na tentativa de suprimir o frio que sinto. É muito, é intenso!
Os meus pés estão congelados. Talvez sejam eles os que mais sentem a tua falta. A carência do teu calor perto de mim é tão grande! (…)
Apesar desta sensação desconfortável nos pés, sinto que outra dor mais forte lateja. É tão poderosa que consegue ser a responsável por esta angústia e aperto que trago no peito. Entendo, por fim, que o frio dos pés é o mais secundário problema. Na verdade, a razão efectiva do meu mal-estar habita noutra parte do meu corpo. A dor que me dilacera a alma atingiu afinal o meu coração!
Se antes a cama parecia grande, agora aflitivamente sinto que ela não tem fim. Onde estás tu?
Não consigo dormir e, pior de tudo, este vazio está a agonizar-me. Preciso chorar! Preciso libertar a alma desta penúria!
Dos meus olhos, nem uma lágrima, apenas ardor. Será isto o meu castigo? Porque outrora cometi o imperdoável erro de magoar outro ser sensível e extraordinário. Agora, a vida sentencia-me desta maneira, não me permitindo exalar a dor que me ataca no mais delicado de mim! Dói! Dói porque sinto dor; dói porque me condeno a mim própria pelas falhas cometidas; dói porque tenho a noção exacta de que mereço sentir esta dor! (…)
Estou só e sem forças nesta cama. Penso em ti! Ou melhor, apercebo-me neste momento que estou a pensar em ti, porque na verdade, a tua presença é constante! Será que também consegues sentir-me? (…)
Um ponto de luz brilhante com uma pontaria perfeita acerta os meus olhos, obrigando-me a abri-los instintivamente. Já é de manhã… No fundo, começo o dia da mesma forma como adormeci: com frio, com dor, e a pensar em ti.
Pensar em ti era inevitável, porque tu ainda estás aqui. O brilho dos teus olhos continua presente, na foto que sobreviveu, no meu quarto. É bom olhar para ela… Recorda-me o dia quente e solarengo em que a tirámos… Sinto saudades! (…)
A dor aperta e o frio insiste! Eu não resisto e, sem coragem para erguer a cabeça, deixo-me cair redonda, entregando-me novamente à imensidão abismal desta cama, para que se prolongue eternamente esta fria e dolorosa noite de Inverno…
Porque és o sol da minha vida, sem ti eu não existo!
Cindy Sousa, 20.Nov.2009
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