Queda Livre

Longe vão os tempos em que o valor da palavra dada era condição necessária e suficiente para assumir qualquer tipo de responsabilidades e compromissos entre as pessoas.
Confiança, fidelidade, lealdade, cumplicidade, honestidade, frontalidade, … são alguns dos exemplos de palavras que estão bem presentes na nossa língua viva, mas no entanto, o seu significado creio estar cada vez mais morto!
Quem realmente, hoje em dia, se preocupa com estes valores?
Poucos! São mesmo muito poucos aqueles que ainda se atrevem a seguir religiosamente as doutrinas que estes valores representam. E destes seres cada vez mais extintos, quantos é que não sofrem as consequências pesadas de seguirem as regras, de não pularem a cerca do Bem? Pois… talvez nenhum!
Quantas vezes acabamos por nos arrepender por ter atitudes fidedignas com quem nos amaldiçoa nas nossas costas? É inevitável não passar por este sentimento. Acredito piamente que todos nós, em alguma circunstância da nossa vida, ponderámos melhor sobre algum gesto bondoso da nossa parte para com outrem e sentimos que não valeu a pena, que teríamos ganhado mais em estarmos quietos no nosso canto.
A sociedade sofreu grandes mutações ao longo dos séculos. Apesar da minha grande inexperiência de vida, e da minha bagagem de vivências ser ainda diminuta, consigo enxergar claramente como os critérios de conduta do Ser Humano têm declinado abismalmente.
Crescemos a ouvir os conselhos e alertas dos nossos progenitores. É-nos incutida a responsabilidade de sermos boas pessoas, de sermos correctos com os outros e connosco próprios. Fazemos disso ideais de vida e, inconscientemente, acabamos por julgar que os outros são estruturados das mesmas bases que nós. Pensamos que todos foram preparados para a vida como nós fomos. Mas nem toda a gente (quase ninguém!, em boa verdade) teve o privilégio de ter tamanha educação e aprendizagem!
E à conta disso, este Mundo vai diminuindo de qualidade no que toca à raça humana. Os bons são maltratados pelos maus, e os maus serão sempre maus ou ainda piores!
É uma queda livre nos valores sensatos que as gerações transactas cultivaram para nos oferecer e que nós (ou a maioria de nós) não estamos a saber aproveitar… E se esta queda livre não parar, o que vai ser feito das gentes vindouras? Que pais seremos nós para educar os nossos filhos? Em que bases nos vamos sustentar para os educar? Como vamos educar alguém se Educação é algo que está em risco de extinção, já nesta geração actual?
Apesar do grande desalento que me invade visceralmente ao olhar de frente para esta realidade enferma, ainda consigo alimentar uma ínfima esperança de que algum travão faça mudar a mentalidade competitiva e crespa desta sociedade.
Que os bons nunca desistam de o ser, e que os maus aprendam com os bons a serem pessoas melhores!


Cindy Sousa, 04.Maio.2009

1 comentário:

  1. Sem muito acrescentar, porque prefiro não pensar neste problema, em enfreta-lo ou encara-lo. Mas nem por isso deixo que esses valores me fujam!

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