Estou com vontade de escrever alguma coisa com nexo, mas nada pior para quem escreve que ter vontade sem inspiração. Quer dizer, fontes inspiradoras julgo ter. Pior é sentir-me minimamente concentrada na língua portuguesa para conseguir expor de forma “pomposa” aquilo que necessito dizer ao mundo. O mundo: esse é, sem dúvida, o meu melhor amigo, e o meu pior inimigo também!
Amigo porque me sinto grata por ter nascido, ter a oportunidade de acordar diariamente e continuar a marcar a minha pegada nele (pelo menos, naquele que me é mais querido e próximo). Nem sempre aproveito da melhor forma a dádiva que me foi concedida, mas nessas alturas tento abafar o peso de consciência com pensamentos esperançosos de que no momento seguinte serei capaz de fazer diferente!
Inimigo também: é demasiado complexo em quase tudo. Se virmos bem, nunca ninguém é 100% livre, ou satisfeito com a vida que tem, ou completo enquanto pessoa, e por aí fora… Seja porque o ser humano, hipoteticamente, tenha sido concebido aprioristicamente com algum gene especialmente dedicado à insatisfação, à ânsia de ter mais e mais, nunca se sentindo perfeitamente realizado com aquilo que tem e alcança; ou porque o tal mundo é governado por uma miscelânea de regras para isto e para aquilo (até para defecar!), de pré-conceitos e preconceitos (interrogo-me sobre qual dos dois terá maior presença nas nossas vidas), e de ideais intrincados. Ideais… questiono-me frequentemente sobre este termo: qual a sua validade quando, no fundo, são somente ideias concebidas por uma ou mais cabeças (tão humanas como a minha e a tua) e que obtêm a aceitação, nunca sem algum tipo de resistência inicial, da maioria da sociedade… Maioria: desde quando é que maioria representa o todo? Logo, que valor terá, de facto, esta terminologia?!
Não levanto estas questões por me sentir revoltada com a vida, até porque no momento presente estou longe de viver essa aflição (tenho outras que me entretêm o bastante). Apenas me deparo com estas limitações societárias que nos limita e tanto a nossa existência, bem como a essência e as nossas capacidades pessoais e ímpares, conduzindo-nos hipnoticamente para uma espécie de moral de rebanho. Isto sim causa-me estranheza, principalmente quando me foi incutido, ainda numa altura que não entendia perfeitamente o seu real sentido, o valor de ser diferente. Hoje sei melhor que, de facto, é difícil ser-se diferente, é árduo sair do rebanho e primarmos pela dissemelhança. Porque seremos vistos como as “ovelhas negras” pelos mais clássicos (para não dizer retrógrados!), ou como uma ameaça pelos mais invejosos e pobres de espírito.
Mas, no fundo, ser diferente é a vontade mais íntima (e, muitas vezes, secreta) de todos nós. Haverá alguém que nunca o tenha desejado? Ditosos os que têm a coragem de o ser!
Cindy Sousa, 12.Agosto.2011
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É necessário respeitar a regras da sociedade na qual coabitamos de modo a que o todo reme para o mesmo lado, caso contrário seriamos um barco sem rumo. Agora é urgente que sejas quem és no meio destas regras, retracção gera depressão. BP
ResponderEliminarlindo...
ResponderEliminaragora é preciso mais...
um beijinho :)